Um frio na barriga, insegurança, incerteza, horas perdidas entre livros, entre contos, crônicas, escritos e lidos. Horas paradas no tempo olhando um sorriso manco e branco. Depois, trocaram o vídeo cassete por cd player e rebobinar não tinha mais graça a fita tinha enroscado, arrebentado e o ano acabou. Sorriso manco foi embora, ficou um vazio, de verdade. Vazio que muitos deixaram, deixado pela minha família, pelo namorado, pelo não namorado, pelos amigos que partiram, pelos parentes que morreram, um vazio que custa a ser preenchido. Mas pra quem se virou sempre na vida esse foi apenas mais um ano. Que o próximo seja melhor, bem melhor para todos nós.
Dezembro 29, 2009
Dezembro 26, 2009
Tempos melhores
Será que se eu tivesse o poder de parar ou avançar no tempo descobriria tempos melhores? Hoje é domingo, na verdade é sábado, mas pouco importa, chove lá fora, eu estou com minha mãe e irmãos, almocei arroz e couve, é a guarnição vegetariana disponível em tempos de guerra, dormi de vestido novo porque não tenho mais pijamas. A chuva que não pára chega a ser irritante, o céu está escuro desde o dia que cheguei, como dormi a maior parte dos dias é como se estivesse eternamente assim e é como se eu fosse dormir novamente nenhuma novidade aconteceria. Mas gostaria de beliscar o futuro e ver se alguém se importará se sinto frio nos pés, ou então se estou me alimentando bem. Gostaria também de voltar ao passado e lembrar como era antes dela partir, algo mudou? Ou quem andou mudando fui eu?
Ps.: Nota-me, para notas de rodapé.
Ps.: Nota-me, para notas de rodapé.
Sorry, that's a lie sunset
nein, non, no, that's not true, I don't hate you and your life. I just wanna have one like yours for me, including the cat.
Liquidação
Dois em um. Eu digo, às vezes eu sou efusiva, mas não o ser efusiva pelo ser. Acredito que é carência ou um ataque imediato, necessidade efêmera praticamente instantânea em vomitar tudo o que eu sinto. Já disse isso milhares de vezes, o tudo que me cerca me sufoca e eu não faço nada para fugir das mãos que me esmagam e a culpa é toda minha, então por que eu culpo alguém? Não sou efusiva eu sou reservada, mal humorada com ataque esporádicos de esquizofrenia. E detesto quando leigos tentam fazer uma análise superficial, crendo ser profunda, através de enquadramentos de diagnósticos generalistas (superficiais) da minha pessoa, isso eu digo porque minhas crenças vão muito além da compreensão de muitas pessoas e minha inteligência não pode ser colocada à prova de um mero diagnóstico. Não me subestime. "I'm sorry" hehe. Enfim, feliz aniversário, como eu ia dizendo, odeio você, sua vida, sua namorada, e seu gato. Sejam felizes em sua doce ilusão. Pronto falei.
Dezembro 20, 2009
Surto
É a época natalina, talvez os hormônios, mas com certeza as luzes de natal são mais que qualquer coisa o motivo que me impulsiona a consumir tudo aquilo que eu tenho e que não tenho. Nada está bom. Sempre, mas sempre preciso de algo novo pra comprar, porque nada combina. Desisti da tinta óleo e planejo comprar acrílica e então também preciso de novos pincéis e por conseqüência se meu plano é pintar devo obter telas. Uma contudo é muito pouco, porque se decidir, no dia em que decidir, pintar mais de uma, devo ter duas ao menos. O que acontece é que duas são relativamente um pequeno número de telas para se ter em casa, três é um número que não é bom do mesmo jeito, mesmo sendo melhor que dois, tratando-se de telas é claro. Fiz uma pequena lista de uns 40 itens que preciso comprar e uma lista de 10 itens que devo pagar, mas... será que só isso mesmo? Tenho minhas dúvidas, porque ao final do mês o dinheiro sempre falta, aliás falta e muito. Aí eu me revolto com o sistema, ponho a culpa em disfunções neurológicas e choro por algumas horas, algumas vezes escondido. Enfim, nada disso é suficiente pra falar bem a verdade, porque além de consumir eu gosto de maltratar as pessoas, mas eu não faço, eu acumulo raiva. Pode ser também mentira, porque eu me irrito e acabo falando com outras pessoas, e elas não merecem definitivamente isso. Sou um monstro e à quem eu posso culpar? Depois tenho piedade de mim, afinal sou humana, cometo meus deslizes e não tendo mais em quem por a culpa e fico extremamente cínica e digo foda-se e confesso viver em um individualismo neurótico. Vítimas? Acho que somos todos vítimas e vítimas de nós mesmos.
Dezembro 07, 2009
dos segundos que restaram
Estava ela na horizontal com um completo estranho, colocando em risco sua vida e a dele. Mas quem se importava com isso? O mundo estava prestes a acabar e nada poderia ser pior, com ou sem sofrimento isso já era um fato. Por alguns segundos, ou minutos, ou talvez durante toda uma meia hora ela imaginou para onde iriam todos os pensamentos, e por que ela estava alí e não estava registrando tudo o que pensava. Um dia um amigo a perguntara por que preferia escrever para todos lerem ao invés de simplesmente conversar com alguém? Talvez a resposta seja incerta, mas muito se aproxime de algo como: "Escrevo porque preciso registrar o que eu penso. Escrevo para não ser perdido. Não somente por mim, mas por todos que algum dia terão a felicidade ou infelicidade de ler". De certo que poderia ser por este motivo, mas por certo não era apenas estes. De certo e errado construímos e destruímos tudo no mundo. Havia sempre um vazio que ela carregava consigo, não sabia dizer se era fome por se alimentar mal, se era solidão, tristeza, desapego, dor de estômago, gastrite, cólica renal, câncer no útero, algum mal havia de ser. Mas, retornando, então ela pensava sobre tudo, sobre todos, incluindo ela mesma. Será mesmo que um dia ela se incluiu em seus pensamentos e decisões, ou será que ela somente pensava nela antes de qualquer outra coisa? Sentia cada vez mais nojo de todos e da situação caótica em que o mundo se encontrava. Ela teve que dizer: "suas palavras não são suas, suas palavras são de outras pessoas, e você só faz isso para se sentir melhor". Ou pior, penso eu. Porque no fim do dia, do mês, ou no fim do poço você se encolhe num canto e começa a chorar por ter sido sua vida inteira uma farsa. O auto-boicote, típico entre nós seres humanos, fingimos ser alguém que não somos, fazemos coisas que não são as que realmente queremos ou gostamos, e vivemos de forma vazia parecendo ser cheia. Ela foi mais afundo em seus pensamentos e gritos começaram a ecoar, eram parecidos com grunhidos, gemidos e talvez fossem bichos que a seguiam sem parar, provavelmente um passado sórdido, nojento e escarrado da sua vida. Então ela simplesmente parou de pensar. O fim havia chegado? Seu carro estava despedaçado, e os dois continuavam na horizontal. De tudo, o que havia mudado, era apenas o chão que não estava mais lá e não estava em parte alguma, apenas alguns segundos depois.
Novembro 29, 2009
Na casa da xelezinha
No canto da sala eles tinham um violão empoeirado. Lá por uma vez na semana, ou duas ao mês, durante uma meia hora ele era tocado. O violão vivia em meio a bagunça da casa, dos sapatos jogados na sala, do lado do móvel que aparava a televisão. Era verde, de cordas velhas, enferrujadas e com um ar decadente e triste. A parede vermelha apoiava a vida e o esquecimento. Sempre que eu sobrevoava a cena lembrava de um capítulo da vida de algumas pessoas, por isso resolvi registrá-la e dei de presente para um casal de amigos. Muitos e muitos anos se passaram o quadro continua lá vivo, para que a história jamais seja esquecida. Ontem mesmo ela foi comentada. Agora a vida continua, mesmo estando parada, de um jeito ou de outro, todos seguiram em frente e eu já não tenho mais notícias do violão. Com certeza ele não continua mais no mesmo lugar, mas infelizmente, destituído de pernas não pôde ir para nenhum lugar que não àquele que o levassem.
Novembro 12, 2009
Meu fabuluso neurotransmissor
Como endorfina faz bem pro corpo, faz bem pro ego e principalmente faz bem pra alma.
Novembro 11, 2009
Sou eu, sou você.
Eu venho do Vale das Sombras e habito as mentes insanas. Compartilho do pacto macabro aos olhos de alguns e da tênue virtude dos bons homens aos olhos de outros. Eu venho do Vale dos Seres Pensantes, sou aquele que causa as dúvidas, cutuca ferimentos e depois assopra com o vento da paixão. Eu sou aquele que vive durante as madrugadas e as tardes e hiberna pelas manhãs a fora. Sou os pesadelos e os sonhos. Sou o fantástico, o surreal e a mais sórdida realidade. Sou a mão de Deus na Terra, sou o que bate e que afaga. Sou o que julga aos outros partindo de si mesmo. Sou trevas e manhãs de sol refrescante. Sou uma onda gigante, sou um barco que abriga os sofredores. Sou tudo e sou nada. Sou a excrescência pontiaguda que fere sua alma. Embora sendo eu o lugar onde você habita, eu sou você, e você pisa em cima. Me destrói.
Vidas secretas
O que há de tão misterioso dentro de nossa essência? O que é puramente desconhecido? Quanto de secreto carregamos e quantas armaduras criamos para mostrarmos aos outros? Você é sincero? Eu duvido que seja sincero, não há sinceridade nesta vida. Não há uma honesta sinceridade. Quando não escondemos dos outros, escondemos de nós mesmos. Às vezes até boicotamos nossos próprios sentimentos apenas para aparentar algo que realmente não somos. Mesmo que eu acredite, que exista esperança para um mínimo de pessoas, das quais não sei se faço parte, ou melhor gostaria de fazer, embora tudo leve acreditar que não. Nos mostramos de tão diferentes formas, nos intrometemos em coisas que não são dignas de nossa competência. Sorrimos para pessoas pela frente e seguramos um punhal pelas costas. Nossas vidas são guiadas por valores tão pequenos e efêmeros, nada disso vai ser levado. Então por que percorremos um caminho desconhecido em busca de elementos materiais que unicamente servirão para a degradação da nossa moralidade? Acredito, ainda que não seja puramente material esse tipo de obsessão, inúmeros sentimentos, quais alimentamos diariamente também não são dignos de habitar um coração que deveria ser puro e mais humano. Estamos à mercê de muitos erros, e não existe problema em errar para aprender. No entanto, eu ainda me pergunto: Por que é que continuo cometendo os mesmos erros? Da minha vida expulsei demônios, exorcizei pessoas e a mim mesma. Ainda assim me pergunto, será que hoje estou curada de uma doença horrenda cujo nome não pode ser citado? Todos os dias devo olhar para as marcas e me lembrar que fui eu mesma que as plantei lá. Gostaria de não cometer os mesmos erros. Nem todas as horas, nem todos os dias, nem mesmo uma segunda vez. Mas a vida que ao mesmo tempo se descomplica se complica em questão de segundos. Prometeria à mim que não faria novamente, só que falta-me forças para parar de errar. Não são as pessoas culpadas pelo meu sofrimento, sou apenas eu. O tempo vai passando bruscamente e ininterruptamente deixando rugas para serem contadas. 30 anos se passaram e o que eu aprendi? Daqui alguns anos serão 40, 50, 60 e eu não sei realmente o que eu levarei comigo. Por que esse excesso de sentimentos me domina, esta sensibilidade me sufoca e eu mato à todas as pessoas que encontro? Minha vida é baseada em mentiras, mentiras que eu ouço, que eu conto, que eu descubro, todos os e todos os dias. São minhas dúvidas as suas. E finalmente, o que é mesmo essencial à vida? "Só serei feliz quando amar à todos de uma forma absurda".
Novembro 10, 2009
As fábulas e as lendas
Por que nós inventamos histórias para florear nossas vidas? Será a vida tão cruel para os nossos corações? Ou seremos nós os vilões que inventam histórias para enganar a si mesmos? Eu era uma princesa quando pequena, vivia em um mundo encantado até ser descoberta por mãos horrendas de um velho e gordo bruxo. Mesmo assim ainda havia encanto no sorriso e eu continuava a sonhar. Depois da morte de minha mãe os dias ficaram mais cinzas e as noites mais longas. Fui criada com severidade e de um lugar encantado e amaldiçoada fui abduzida para o mundo paralelo que alguns homens chamam de realidade. Mais uma vez aqui. Então deixamos de viver fábulas e passamos a conviver com as lendas. As histórias de crianças são feitas para que os adultos possam ler e ver que o tempo deles é outro. Uma grande ironia. Hoje, vivendo, como se fosse a minha última chance, eu concluo que odeio todas as fábulas do mundo, odeio as que me contaram, as que continuam inventar e as que eu mesmo inventei. As fábulas se transformaram em lendas e eu preciso me lembrar todos os dias disso. Apenas todos os dias. Não durma, porque você pode sonhar.
Fraquezas
Das minhas fraquezas sei eu. Dos dias em que choro ao acordar, dos dias que choro ao dormir. Dos meus risos e das minhas gargalhadas, sei eu. Do peso das palavras omissas e das palavras ditas sei eu. Só eu sei o monstro que carrego dentro da barriga que em alguns dias me escapa pela garganta. Da minha solidão e das minhas poucas amizades sei apenas eu. De apenas saber o que eu sei, ainda há tudo o que eu imagino saber. Não deixa de doer, e não deixo de sorrir. Lentamente os movimentos vão parando, meu corpo se cristaliza e minha respiração cessa. Sinto uma cólica horrível, minhas mão suam e tremem, minha palidez aumenta e eu fico muda. Não é a coragem que move as pessoas e sim o medo de perder tudo pra sempre. Às vezes eu rezo pra ser alguém melhor. Rezar um dia funciona. Mas não há perdão para pessoas fracas.
Novembro 02, 2009
Noites eternas
Já reparou como o dia é curto e a noite longa? Acho que sinto algo ruim durante a noite.
Outubro 27, 2009
Contratempo
Nos intervalos da minha trilha vou contando o tempo. Tenho duas, três ou mais faces. Depende do momento. Meu novo Eu repete de três por cinco, três acertos para cada cinco erros, mas acaba sendo uma média boa. Então há em cada palavra uma sílaba que me faz ao invés de gritar ficar muda. De tempos em tempos isso acontece, pode parecer estupidez mas nem eu mesma sei explicar. E também pouco me importa agora. O que é melhor ser? Tudo ou nada? Porque não existe meio termo no meu dicionário.
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